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A cidade além do lanche

Apesar de ter alguma diversidade na culinária local, o bauruense ainda não possui o hábito de buscar essa diversidade

 

Da redação Sicom-PET, Daniele Fernandes

A comida traz memórias que são ativadas pelos sentidos do paladar e do olfato, dando a sensação de pertencimento. É por isso que o “gostinho de comida de mãe” é tão único, já que é onde, geralmente, nos sentimos aconchegados e confortáveis.

Alguns autores defendem que a comida é mais precisa que a linguagem, que não existe a barreira do idioma para obter informações. A jornalista e pesquisadora na área da gastronomia Daira Martins explicou um pouco da relação entre comida e cultura: “Alguns autores dizem que a comida é mais precisa que a linguagem. Isso se explica porque se você chega num país sem saber falar o idioma, você não consegue se comunicar mas, ao comer uma comida típica, também é possível obter informações.”

A comida faz parte do processo de construção da identidade de um povo, pois a culinária se faz pelo local, com seus alimentos típicos, que podem não ser encontrados em outras regiões. A jornalista também explica que mesmo com o acesso fácil à culinária de todo o mundo, existe um fortalecimento das culinárias regionais, como forma de retomar essa identidade que passou a ter uma conotação global.

Cada lugar tem a sua culinária, e o Brasil, como ex colônia possui muitas influências. (Foto: Daniele Fernandes)

No Brasil existem muitas culinárias, cada uma contando um pouco sobre sua terra e, também, mostrando as particularidades dos indivíduos que as habitam.

Como o Brasil foi colonizado e, posteriormente, recebeu muitos imigrantes e migrantes, essas influências também se traduzem na forma da população se alimentar. É o exemplo da cidade de São Paulo, que apresenta culinárias de vários países, tornando difícil decidir qual é a tradição culinária, podendo até se tornar uma nova identidade.

A Diversidade na culinária de Bauru

Bauru conta com diversos eventos que buscam tornar acessível a culinária da cidade, em março tivemos o evento chefs na praça, onde restaurantes da região se encontram.

É o caso do restaurante dos irmãos Felipe e Thiago Dal médico, que abriram, há cinco anos o restaurante de comida mexicana Bongo, depois que entraram em contato com a culinária na Califórnia, EUA, onde existe uma forte influência mexicana.

Segundo ele, na época a gastronomia da cidade não saia muito dos tradicionais lanche e pizza, e o restaurante possibilitou o encontro com essa nova cozinha

ainda desconhecida na cidade. A mistura de Bauru com México se encontra no prato Bongo Nachos, que foi desenvolvido com ingredientes da região.

 

O Burrito é um prato tradicional da culinária mexicana, muito popular no Brasil (Foto: Daniele Fernandes)

“Acabou sendo bom, porque muita gente não conhecia a culinária e foi um atrativo para o restaurante. Falando comercialmente foi um atrativo para nós. As pessoas se abriram para experimentar coisas diferentes na gastronomia.” – Felipe Dal Médico

A confeiteira Juliana Vitorino trabalha a 18 anos na cidade de Bauru, desde o tempo da cervejaria dos monges segundo ela. Vinda da cidade de São Paulo diz que teve que adaptar o modo de cozinhas para os hábitos de quem vive aqui, como exemplo ela diz que comidas muito condimentadas e com sabores exóticos não são tão atraentes aos olhos bauruenses. E para doces, por exemplo, não existe muito consumo na parte da noite. Na capital, segundo ela, não existe essas preferências. “ O pastel de feira, em São Paulo, tem seu pico de venda das 07 às 09 horas da manhã, não existe horário para as coisas”.


Ela diz que não existe uma cara para a culinária da cidade, mas que não existe o hábito de procurar culinárias diferentes, que o que foge a regra é a culinária mexicana e francesa. Dos seus doces ela diz que os mais pedidos são as Pavlovas com recheios caipiras e brownies, mas segundo ela, as adaptações necessárias para tornar os doces “estrangeiros” mais apetitosos para o brasileiro é fazer um pouco mais doce, com mais creme e que o brasileiro não gosta de comidas secas.

 

O que se destaca na culinária bauruense?

Já foi confirmado que os mais pedidos na cidade são os lanches, com a presença quase obrigatória da maionese de alho. E não é a toa que a cidade é nacionalmente conhecida como a cidade do sanduíche Bauru. Foi um radialista bauruense que residia na cidade de São Paulo que ao fazer um estranho pedido em uma lanchonete da capital, criou o lanche que hoje é muito popular e possui muitas variações. Aqui em Bauru existe até uma lei municipal que registra a receita do sanduíche original e sua forma de montar.

 

Câmara Municipal de Bauru – P. 12648/98 LEI NÚMERO 4314 DE 24 DE JUNHO DE 1998, autoriza o Poder executivo a tomar as Medidas necessárias para o registro do “Sanduíche Bauru”.

 

A jornalista acredita que também existam alguns fluxos culinários na cidade, como de quem nasceu na cidade, dos universitários e que esses encontros possam gerar a gastronomia de Bauru, o que teria que ser estudado para afirmar. Seria esse o caso de outro grande amor bauruense, os churros. As noites da cidade, na praça da paz onde ficam trailers com diversos tipos de comida, existe um que a fila não para e esse é o trailer dos churros. Para incorporar a vibração excêntrica da cidade os churros foram redesenhados e hoje existem mais de 50 sabores diferentes, para a velha receita original.

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