A deficiência interpretada nas telas

O filme “Colegas” ganhou diversos prêmios, entre eles o de Melhor Filme no Festival de Gramado. (Foto: Divulgação)


 

Raramente se vê pessoas com deficiência protagonizando filmes, novelas e séries

 


 

Da redação SICOM-PET, Marina Debrino

 

Representatividade no audiovisual, filmes, novelas, propagandas, refere-se a como as pessoas são retratadas e que papéis são escolhidos para elas. Um dos objetivos dessa representatividade é destacar politicamente os interesses de determinado grupo, classe social ou de um povo. Como, raramente, vê-se protagonistas que fogem ao padrão estético incorporado na sociedade em obras audiovisuais, essa falta de diversidade cultural faz com que segmentos da sociedade não se sintam representados na mídia como um todo. Quantos deficientes foram protagonistas de alguma novela? Ou de um filme consagrado?

São poucos os casos em que se  faz esse questionamento e que, de fato,  apresentam uma diversidade, que permita essa identificação para com o público. “Não acredito que exista representatividade significativa de pessoas com deficiência no audiovisual, infelizmente. Nem na frente, nem atrás das câmeras”, é o que afirma Mauana Simas, sócia-fundadora da produtora Nós Todos Filmes. Sua produtora foi fundada em 2013 e visa promover a acessibilidade e a inclusão ao audiovisual.

 

 

O filme “Colegas” (2012) é um exemplo da quebra do estereótipo citado anteriormente. Na obra, três jovens com Síndrome de Down, Aninha (Rita Pokk), Stallone (Ariel Goldenberg) e Márcio (Breno Viola) – inspirados por Thelma & Louise (1991), decidem fugir no carro do jardineiro em busca de seus sonhos.  O filme humaniza a deficiência e quebra os preconceitos que a envolve. “A partir do momento em que você esquece que eles têm Síndrome de Down, quando você começa a assistir ao filme, e isso acontece com todo mundo quase, você está incluindo eles na sociedade”, explica o diretor do filme, Marcelo Galvão. Na sua visão, o maior papel de inclusão social do filme é mostrar garotos com Síndrome de Down atuando. “Mais do que qualquer mensagem do filme, é você mostrar que consegue rir, chorar, se emocionar, torcer por eles e pela atuação deles”, aponta o diretor.    

 

O que diz a lei

A participação de deficientes em atividades culturais é assegurada pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoas com Deficiência), no capítulo IX, Artigo 43, que define que “o poder público deve promover a participação da pessoa com deficiência em atividades artísticas, intelectuais, culturais, esportivas e recreativas, com vistas ao seu protagonismo”. Mesmo assim, pouco se vê sendo feito em relação a isso. “Em geral, são pessoas sem deficiência interpretando pessoas com deficiência. E, em geral, ou são “punidas” com a deficiência porque são malvadas, cruéis, ou então estão em busca da cura. Na maior parte das vezes, o audiovisual representa pessoas com deficiência de uma forma muito estereotipada”, critica Mauana.  


 

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Wesley Anjos

Jornalista em formação, escritor e ator nas horas vagas. Típico amante das artes, é viciado em fabular e beber mate, não necessariamente nesta ordem.

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