A memória que me contam: um embate esquerdaXdireita após o golpe

Imagem: Recanto Adormecido – Reprodução


Uma memória sobre a resistência à Ditadura Militar, o longa é muito pertinente para se refletir em um feriado da Proclamação da República


Da Redação SICOM-PET, Wesley Anjos

Desde que o Brasil se tornou uma república, teve sete golpes de estado. Considerando-se que por golpe temos uma subversão da ordem institucional. Aliás, a transição do segundo império para a república só foi possível graças a um golpe, que podemos dizer o primeiro republicano, sem contar os golpes que ocorreram no período imperial. Dependendo da sua posição política, pode dizer que em 2016 tivemos o oitavo, ou não. O fato é que o sétimo, Golpe Militar, marcou a história ao deixar a memória de um confronto entre a direita e a esquerda. Justamente por isso, que resgatamos hoje o filme A memória que me contam (2012).

Dirigido por Lucia Murat, este longa traz a história de um grupo de guerrilheiros que resistiu à ditadura militar. No decorrer da trama, Ana (Simone Spoladore) é o grande símbolo do movimento esquerdista. Hospitalizada e à beira da morte, aparece mais jovem para todas as outras personagens, contando as glórias e derrotas do passado, como símbolo de uma memória viva. Esta memória que une os guerrilheiros do passado e a nova geração de esquerdistas.

 

 

A memória tratada no filme é tão viva, que recaí fortemente nos dias atuais, se analisarmos o momento geopolítico tanto do Brasil, quando da América Latina, que têm sofrido uma grande transição para governos de direita. O atual debate sobre a queda da presidenta Dilma Rousseff, a crise financeira, a flexibilização dos direitos trabalhistas, a reforma previdenciária e a polêmica PEC 55 (antiga 241), trazem uma tensão que remetem facilmente ao ano de 1964. Mediante a tudo isso, após toda a luta dos movimentos de esquerda, fica o mesmo questionamento das personagens do filme: “Valeu a pena?”.

A memória que me contam tem excelentes diálogos e interessantes sequências de imagens. Pode parecer monótono para quem gosta de excesso de catarse, todavia, para quem aprecia sutilezas, é um prato cheio. E ao terminar de assisti-lo, mesmo sendo de 2012, é impossível não pensar na loucura que foi o ano de 2016.

 

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