A necessidade de reconhecimento: redes sociais e a realidade irreal

Da redação SICOM-PET, Wanessa Medeiros

Meio-dia: ir para a academia. Postado! 15 horas: ir ao shopping. Foto no Instagram. 20 horas: comer pizza com os amigos. Status compartilhado no Facebook. Você já reparou como que a nossa vida e de diferentes pessoas ao nosso redor estão mais acessíveis e romperam os limites entre o que é pessoal e público? O que mais assusta não é o fato dessa exposição exacerbada de nossas vidas pessoais está cada vez mais disseminada , mas o fato de isso ser uma escolha, isso sim assusta.
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(Créditos: Facebook ®)
Essa necessidade de reconhecimento e atenção de desconhecidos se tornou o objetivo de vida de muitas pessoas; se você faz, vive e sente tem que ter uma validação pelo ibope criado nas redes sociais. Pois não vale de nada ser feliz, amar, viajar, dançar se não for compartilhado com os outros. É como se fosse um desencantamento da própria vida, do mundo e de suas coisas. As pessoas estão vivendo um momento de carência afetiva coletiva em que “enquanto o sujeito pensa que está cercado por contatos e possibilidades por se ver tantos rostos disponíveis no canto e tão simples acesso com o mínimo esforço, a busca e a dificuldade para se obter atenção do outro diminuíram o valor dessa aproximação. O resultado é que as projeções e necessidades humanas de afeto (que não diminuíram e nem irão) são cada vez mais atiradas em um real vazio, em que o feedback é alimentado por um circuito neurótico que imagina o afeto, ao invés tê-lo de fato para sentir”, analisa o pscicólogo Rogério Henrique Gonçalves.
A grama do vizinho sempre é mais verde
 
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(Créditos: pensarparalelo.blogspot.com.br)
Será? A realidade exposta nas redes sociais também configura a nossa autoimagem, o que pensamos de nossas próprias realidades. Isso pode ser depressivo e angustiante já que a vida dos outros sempre parece ser melhor que a nossa. Mas será que as pessoas têm uma vida tão perfeita tal como é compartilhada no Facebook ou é apenas uma falsa edição de suas próprias vidas?
Entenda como se constrói essa “falsa” realidade perfeita:
 
Ainda segundo o pscicólogo “estudos recentes tem discutido e muitos concordam que o uso prejudicial das redes sociais é diretamente proporcional ao tempo gasto nessa atividade, a auto-imagem das pessoas fica pautada sempre pelo “melhor do outro”, pois também é ponto convergente nas pesquisas que o que se imagina negativo (perceba novamente a atuação imaginária neurótica) fica escondido e agindo às escuras como medidor próprio de seu valor como pessoa, resultado: tanto os que ostentam viagens, namoros e condições como os que não postam mas acompanham atentamente tudo que é postado estão vulneráveis, os primeiros estão apenas escolhendo como querem ser vistos por outrem, e os últimos estão se espelhando em um modelo irreal e disfuncional de felicidade selecionada”.
O intuito deste post não é ditar o que é certo ou errado para se postar nas redes sociais, a liberdade de expressão é um direito e ainda é nosso maior trunfo. Mas o objetivo aqui é mostrar outro ponto de vista sobre o assunto e levantar discussões sobre um comportamento de carência coletiva que tem ganhado cada vez mais forças. Qual sua opinião?
 



2 comentários em “A necessidade de reconhecimento: redes sociais e a realidade irreal

  • 5 de setembro de 2016 em 17:12
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    Gosto do ‘Ser Humano’ … De Médico e Louco todo mundo tem um pouco frase velha não?Mas ela mudou um pouco agora com o Face é De Médico e Louco e Mestre e Psicólogo toodo mundo tem bastante … é só compartilhar e sua ideia corre mundo, tem muita besteira, mas tem também muita coisa bacana, quando a gente olha pro outro com olhos de ver … entenderá coisas do outro que nem ele percebe com tais posts … enfim, ninguém é perfeito, cada um tem seu tempo para evoluir. O bacana mesmo seria que as pessoas fossem verdadeiras e educadas no que falam e no que postam … é lendo que se aprende! abs à todos <3 s.

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  • 31 de agosto de 2017 em 19:15
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    Fiquei encantado com as breves, mas significativas considerações apresentadas. A questão é tão complexa e delicada que basta observar a ausência de comentários aqui na página. Lamentável o número de pessoas que não reconhece quão desmedida está a necessidade de reconhecimento pelo outro, um excesso que invariavelmente esconde uma falta!

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