A universidade precisou parar: a greve, os alunos e as opiniões divergentes

As reivindicações de professores, funcionários e alunos são por salário e por melhores condições

Da redação SICOM-PET, Yara Lombardi

Os ares de  2013 e 2014 se aproximaram da Unesp Bauru novamente. Os alunos, professores e funcionários sentiram no dia-a-dia e no bolso o peso do não reajuste salarial e da falta de assistência para a permanência estudantil dentro da Universidade Estadual Paulista.

No dia 1º de junho, em assembleia, os professores, por contraste visual, decretaram o que já se esperava: greve. E apenas um dia depois, também em assembleia geral e por contrate visual, os alunos aderiram à greve, em apoio aos professores e servidores, e com suas próprias pautas.

Uma coisa todos concordam: as pautas estudantis são legítimas. O aumento de refeições no Restaurante Universitário – que hoje conta com 300 refeições diurnas, pra um campus que tem mais de 6000 alunos e funcionários, sendo em sua maioria noturno. A situação problemática da Moradia Estudantil, que hoje abriga mais de 60 alunos, tendo sua lotação máxima vista para 32 alunos, entre outros quesitos como o corte de bolsas de auxílio e pesquisa.

Ainda assim, as opiniões dentro do Movimento Estudantil (ME) podem se divergir, visto que houveram propostas contra a greve – vindas principalmente de alunos, com o argumento de que a greve apenas prejudica e não auxilia no diálogo com o reitor, e nem mesmo no âmbito estadual.

Alguns alunos, das diferentes Faculdades do Campus e diferentes cursos, deram sua opinião e os nomes foram alterados para a preservação dos direitos dos alunos e evitar uma possível perseguição. João Antônio*, da Faculdade de Engenharia de Bauru, concorda com todas as pautas estudantis, mas afirma que a greve atrasa sua formação e não acha que o movimento estudantil seja tolerante com quem não concorda com a greve. “Estive em várias das assembleias organizadas pelo ME e em muitas delas me senti coagido por saber que a grande maioria dos estudantes não concordaria com o que fosse colocado por mim lá. A sorte foi que alguns colegas que se colocaram contra a greve me contemplaram.”

 

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Alunos da Unesp Bauru em Assembleia (Foto: Facebook)

 

O Movimento Estudantil e o Conselho dos Estudantes da Unesp Bauru (ceub) voltam sempre a afirmar que qualquer opinião dentro de assembleias e GDs são válidas e jamais devem ser desprezadas ou humilhadas por instância alguma. O ME é um órgão que preza pelo diálogo com todos os alunos e atende sempre pela democracia. É assim que pensa, Maria Laura*, do curso de Psicologia da Unesp “O interessante é que mesmo nas assembleias, qualquer um tem a total liberdade de falar o que pensa e de fazer propostas que são votadas. As manifestações de apoio e rechaçamento não fazem parte do que o ME prega como uma democracia válida e justa.”

E como já foi bem explicado nas assembleias de estudantes, greve não é férias. Por isso, mesmo com as atividades paralisadas, o ME e Comando de Greve continuam se movimentando e tentando conscientizar todos aqueles que querem participar do movimento Se você, aluno da Unesp, quer ter mais informações sobre as atividades em tempos de greve, siga a página do CEUB e do Movimento Estudantil no Facebook e fique por dentro do que acontece e de como andam as negociações.

 

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