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A volta do Reggaeton

 

 

    O gênero musical do reggaeton passou por transformações ao longo do tempo e hoje é a aposta de muitos artistas no mercado comercial

 

Da redação SICOM-PET, Julia Cortezia

 

  O reggaeton é um estilo musical que nasceu nos arredores da América Central, por meio da imigração de trabalhadores jamaicanos para a construção do Canal do Panamá. Dessa maneira, o reggae jamaicano foi se misturando com ritmos latinos e deu forma ao “espanhol reggae”. Mais tarde, em meados dos anos 90, o ritmo se popularizou em Porto Rico, onde os DJs o inseriram dentro de uma cena underground. Apenas aí o ritmo foi finalmente denominado de reggaeton – junção das palavras “reggae” e “maratón”, sendo esta última o nome que se dá a um concurso de rap.

  Podemos citar como precursores no estilo artistas como El General, Nando Boom, Chico Man, Rene Renegado e Black Apache, que começaram a misturar o reggae jamaicano com ritmos latinos.

 

  Sua sonoridade característica pode ser considerada como uma combinação de muitas influências: do reggae e dancehall jamaicano, do hip hop, da salsa, dos estilos caribenhos e ainda, da música eletrônica. O conteúdo das músicas presentes dentro da cena underground era de teor forte. Temas polêmicos eram abordados, como sexo, drogas, racismo e o crime. Por tratar de questões das classes mais baixas, o reggaeton foi por muito tempo marginalizado nos países em que ele fazia sucesso. Em Porto Rico, foi alvo de proibições do governo e confisco de fitas cassetes em lojas de música, já que acreditavam que suas músicas incitavam a prostituição e a violência.

  Em resposta, alguns artistas consagrados no reggaeton como Vico C e Manny Montes realizaram campanhas de conscientização à população, que deveria desenvolver um olhar crítico sobre os artistas e músicas que consumiam. Assim, sendo o reggaeton ligado às classes mais baixas e às pessoas não brancas, a discriminação desse estilo musical deve ser entendida de maneira crítica, já que o conteúdo polêmico é atrelado à uma reflexão das características e da vida dessa população.  

  Ao chegar em Porto Rico e com o surgimento da cena underground, o reggaeton foi bastante associado com outros estilos undergrounds, como o rap. Destaques para as músicas e artistas “Soy de la calle” do porto riquenho Vico C, “La Escuela” de Ruben Dj e “Gata Sandunguera” de Mey Vidal. Podemos citar outros artistas porto riquenhos importantes também dentro do reggaeton como Wisin & Yandel, Don Omar, Angel y Khriz, Tego Calderón, entre outros.

  Atualmente, os hits de reggaeton se mostram mais eletrônicos e voltados para a cultura de massa. Em 2004, foi lançado “Gasolina” de Daddy Yankee e virou um hit mundial,  recebendo várias nomeações como Gravação do Ano no Prêmio Grammy Latino de 2005. Já em 2011, “Danza Kuduro” de Don Omar e Lucenzo foi lançada como uma homenagem a dança angolana, mas está presente na música também uma forte influência do reggaeton.

  A volta da atenção ao reggaeton foi marcada por “Despacito”, música de Daddy Yankee com Luis Fonsi que, posteriormente, ganhou também um remix com a participação de Justin Bieber. Essa, de acordo com o serviço de streaming Spotify, é a primeira música latina com letras em espanhol a permanecer na primeira posição da playlist “As 50 mais tocadas no mundo”.

O reggaeton no mercado comercial

O estilo do reggaeton vem crescendo nas paradas mundiais. Entretanto, ele é presente majoritariamente hoje como componente de misturas com o pop e a eletrônica. Artistas internacionais adeptos dessa mistura são diversos, como Pitbull, Jennifer Lopez, Shakira, Enrique Iglesias, Rihanna e Drake. Já no Brasil, não poderia ser diferente: o estilo está sendo usado por muitos artistas e, desse cenário, criou-se um termo para definir o funk com pegada reggaeton: “funketon”.

Wanessa Camargo começou a colocar a influência do reggaeton no país quando começou a produzir seu disco intitulado “W”, lançado em 2005. Luan Santana, seguindo os mesmos passos, gravou em 2015 com o espanhol Enrique Iglesias o hit “Bailando”.

Já em 2016, Claudia Leitte grava “Corazón” com Daddy Yankee e segue com as influências dentro de suas outras músicas lançadas. Já Anitta decidiu por apostar nas participações: “Ginza”, cantada com o colombiano J. Balvin, “Loka”, com a participação das brasileiras Simone e Simaria e “Sim ou Não”, junto do cantor Maluma.

O reggaeton mais puro e semelhante às raízes originais pode ser representado no Brasil pela dupla Señores Cafetões, que emplacaram os hits “Piriguete” e “Desce sobe” nos anos 2000, com elementos semelhantes ao funk.

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