Acabou o Setembro, mas não o Suicídio

O ponto e vírgula virou um símbolo de luta, ele representa a decisão de continuar a viver (Crédito: Café na Bancada)

Por dia, 32 pessoas tiram suas vidas, a taxa é superior à vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer

Da redação SICOM-PET, Daniele Fernandes

Desde 2014 existe, no Brasil, o Movimento Setembro Amarelo, que traz a visibilidade para a discussão sobre o suicídio. O movimento foi trazido ao Brasil pelo Centro de Valorização da Vida, CVV, pelo Conselho Federal de Medicina, CFM, e pela Associação Brasileira de Psiquiatria, ABP.

Na cartilha promovida pelo CVV eles mostram que existem vários motivos que levam a pessoa ao suicídio. Normalmente a pessoa precisa aliviar pressões externas, como cobranças sociais, culpa, humilhação, depressão, ansiedade, fracasso etc.

Ao ter ideias suicidas, a pessoa combina dois ou mais sentimentos conflituosos, chamado de ambivalência. A pessoa busca atenção por se sentir esquecida ou ignorada e se sente só, sente um isolamento insuportável. Ela pode desejar que outros sintam o mesmo que ela, desaparecer, ir para um lugar melhor e quase sempre sentem a necessidade de alcançar paz, descanso ou um final imediato aos seus tormentos.

 

Um mal silencioso

Em um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014 foi apontado que, no mundo, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio. Para cada suicídio há pelo menos 20 outras tentativas fracassadas. Apesar dos dados preocupantes, apenas 28 países tinham estratégias de prevenção ao suicídio.

No Brasil, a média de suicídios é baixa em relação ao resto do mundo, 6 suicídios a cada 100 mil habitantes, mas o que preocupa é que, enquanto a média dos outro países é estável, a do Brasil cresce. Desde 2006 o país possui diretrizes nacionais de prevenção ao suicídio.

Segundo estudo desenvolvido pela Unicamp, 7% dos brasileiros já pensaram seriamente em suicídio e quase 5% já elaboraram um plano, mas é possível prevenir esse mal. Segundo a OMS 9 a cada 10 tentativas de suicídio podem ser evitadas.

 

O Tabu

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Por ser um Tabu, a pessoa simula um bem-estar, piorando a situação. Crédito: Sorriso Falso

Parte do problema é a pouca abertura para falar desse assunto, já que o suicídio ainda é um tabu entre as pessoas. O assunto que agride várias crenças religiosas e o suicida é visto como um fracassado. Também expõe as fraquezas e os limites do homem, sendo difícil falar da morte. Esse tabu piora a situação de muitos. Muitas vezes, mesmo quem segue uma religião e condena o suicídio, não consegue respeitar suas crenças e acaba dando fim à própria vida.

O suicídio não cresce apenas por questões demográficas e populacionais. Ele também está relacionado com problemas sociais diminui o bem-estar de cada um, estimulando a autodestruição. São situações de agressão, competição e insensibilidade, que facilitam o desenvolvimento de transtornos emocionais.

 

 

 

~~~ hora do depoimento pessoal ~~~

Esse texto foi escrito por mim para um trabalho da faculdade. O assunto sempre me chamou atenção porque sempre soube que era mais suscetível a isso, mas não foi até o fim desse texto que eu percebi a verdadeira importância de falar sobre o assunto. No último ano eu passei por coisas que me deixaram frágil emocionalmente que eu tentava relevar e não consegui.

Eu me sentia mal e a reação de quem eu considerava amigo sobre o assunto me fazia questionar a veracidade do que eu sentia. Eu tentei falar várias vezes falar sobre isso com outras pessoas, elas me viam sair das aulas chorando, tinha dias que passava o dia inteiro no quarto. Eram pessoas que falavam pra eu relaxar e esquecer o que aconteceu, mas muitas vezes não é sobre esquecer.

Eu pensei em suicídio muitas vezes, voltava da minha cidade pra Bauru chorando e pensando em quando isso acabaria. Queria que isso acabasse rápido e às vezes a vontade de que acabasse era muito maior do que a de continuar vivendo assim e descobrir o que estava por vir.

Foi só quando achei pessoas que falaram que que não era pouca coisa o que eu estava passando, que não tinha sido drama e que eu não merecia o sofrimento que passei, que percebi o quão importante falar sobre esse assunto.

Foi só quando saí do ambiente tóxico que eu me encontrava e das amizades tóxicas que tinha que percebi que estava salva, porque falar com alguém que te ouve e te dá apoio pode fazer muita diferença, como fez pra mim. Nunca considere pouco o sofrimento que a pessoa está passando. Só se disponha a ouvir se estiver realmente preparado.

Daniele Fernandes

Daniele curte filmes e séries cult, e quando diz cult quer dizer coreano ou comédia romântica de Hollywood. Possui profundo conhecimento em economia, sabendo administrar suas famílias no The Sims 4.

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