Aumento no consumo de crack preocupa poder público

Droga tem consumo crescente e governos municipal e federal ampliam medidas de combate ao uso

Colaboração
por 
Amanda Pioli, Felipe Mateus, Luciana Fraga  

Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp 

O crack já é a droga ilícita mais consumida no estado de São Paulo. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2011 pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, ele foi apontado como a mais usada, citado em 31% das respostas. Esse número só é menor que o de consumo de álcool, droga lícita, que totaliza 49% das respostas. A preocupação gerada pelo aumento do uso leva às medidas adotadas pelos municípios e pelo governo federal.
A estimativa da Polícia Militar de Bauru é de que existam cerca de 70 pessoas na cidade que vivem em função do crack – os traficantes. O número preocupa ainda mais quando são considerados os usuários: mais de dois mil. Grande parte dessas pessoas se acumula nas proximidades da linha férrea, localizada em baixo do viaduto, no cruzamento da rua 13 de Maio com a avenida Nuno de Assis. O local é conhecido como a “cracolândia bauruense”. 
Em reportagem publicada no dia 6 de junho, o Jornal da Cidade de Bauru mostrou uma outra faceta do crack, o abandono. Usuários passaram a utilizar tubulações do Departamento de Água e Esgoto (DAE) depositadas em uma área próxima ao Rio Bauru. 
O major Flávio Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4ºBPMI), afirma que o uso das drogas contribui muito para a ligação dos usuários a atividades criminosas. “O crack é uma droga que vicia rapidamente e causa uma dependência muito forte”, aponta. Segundo o major, “quando o indivíduo não tem mais dinheiro para comprar as pedras, ele parte para o roubo, inclusive dentro de casa, e para a prostituição”. 
Kitazume ainda observa que a maior preocupação da PM é detectar os pontos de venda para poder combater o tráfico. Para ele, algumas medidas colaboram com a diminuição do uso da droga. “As campanhas desenvolvidas trabalham com a conscientização da sociedade. A educação familiar, no entanto, é fundamental para auxiliar no tratamento de dependentes e afastar possíveis novos usuários do vício”, adverte. 
Iniciativas na cidade 
Para combater a disseminação do crack, Bauru conta com algumas operações realizadas pela Secretaria do Bem-Estar Social (SEBES). Entre elas, estão a “Enfrentamento ao crack”, que já acontece há alguns meses, e o “Projeto Revitalizar”. 
As operações são realizadas durante o dia, não abrangendo, portanto, todos os usuários. A “Enfrentamento ao Crack” percorre locais predeterminados no período das 6h às 9h da manhã, para retirar as pessoas das ruas, e levá-las a locais seguros, e depois encaminhá-las ao o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Creas Pop). Tal limitação no horário exclui do recolhimento os usuários de drogas que voltam a esses locais de risco apenas à noite. 
Para tentar ampliar a atuação das instituições, Darlene Têndolo, secretária do Bem-Estar Social, informou, em entrevista ao Jornal da Cidade, que o Creas Pop, responsável por encaminhar os moradores de rua a entidades assistenciais, vai receber reforço para poder atuar 24 horas. Por enquanto, o centro atende até as 17 horas. 
Os projetos coordenados pela SEBES não são os únicos desenvolvidos na cidade. O “Alimentando Corpo e Alma” sai às ruas nas sextas-feiras à noite, buscando usuários de drogas que queiram ir, por vontade própria, procurar assistência no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Bauru (Caps Ad). Além do encaminhamento, o grupo de voluntários distribui comida e cobertores. 
Políticas Federais 
Em todo o Brasil, o governo federal também atua no combate ao crack. Um dos órgãos responsáveis pelo combate às drogas no país é a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Segundo o portal do Ministério da Justiça, a atuação é feita em três frentes: pesquisas para saber o panorama atual, a capacitação de profissionais para lidar com o tema e projetos que trazem informações e ampliam o acesso aos recursos locais existentes para prevenção e tratamento. Só neste ano, segundo o site da Senad, houve financiamento de R$375 mil para a área de pesquisas e projetos. 
Uma outra iniciativa do governo federal é o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, instituído em 2010. Ele prevê apoio quanto à prevenção do uso, o tratamento dos usuários e a reinserção dos dependentes na sociedade. 
Dentro desse Plano, há a mais nova campanha de combate ao Crack, lançada pela presidente Dilma Rousseff, intitulada “Crack, é possível vencer”. A campanha teve um investimento de R$4 bilhões do governo, segundo o portal da secretaria. Dessa quantia, R$6 milhões se concentraram na implantação de mais Centros Regionais de Referência, responsáveis pela capacitação dos profissionais quanto à prevenção do uso e o tratamento dos dependentes. Outras ações também visadas pela campanha são o policiamento das áreas de uso de drogas e as ações preventivas nas escolas e comunidades. 

(Colaboraram: Ana Cláudia Tripoloni, Brunara Ascêncio, Bruno Sisdelli, Camila Franzoni, Lucas Gandia, Mariane Bovoloni, Matheus Fontes, Mirela Dias, Odelmo Serrano e Tainá Goulart)

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