Brasileiros desenvolvem técnica inédita de interatividade para filmes

Há um bom número de espectadores que não se contentam em apenas assistir a uma história. Para esse público, os meios digitais começam a oferecer várias possibilidades que permitem que a plateia de um filme que passa na TV ou no cinema modifique cenas e comportamento dos personagens, dando um certo“gostinho” de dirigir a trama.
A boa notícia para esta turma é que pesquisadores do departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), em parceria com Unirio e UFSM, acabam de desenvolver o primeiro protótipo de um sistema do chamado Video-Based Interactive Storytelling, através de uma técnica inédita voltada para TV e cinema interativos, mas também aplicável em plataformas da internet. Neste sistema, o espectador é capaz de interagir via controle remoto, celular, voz ou gestos e modificar o curso da história assistida. O protótipo foi desenvolvido pelo aluno de doutorado em Informática pela PUC-Rio Edirlei Everson Soares de Lima (imagem acima) sob orientação do professor Bruno Feijó, a partir de outros resultados do Projeto Logtell. Em novembro deste ano, uma aplicação deste protótipo usando o middleware Ginga recebeu menção honrosa em inovação pela International Telecommunication Union (ITU) na competição “ITU IPTV Application Challenge”. No ano passado, Edirlei já havia sido premiado pela sua contribuição no desenvolvimento do game “Krimson”, que venceu a categoria “Melhor jogo para PC” no SBGames (Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital).

Cena de Princess of Kidnapping
Cena de Princess of Kidnapping

E como funciona? O Video-Based Interactive Storytelling permite que vários espectadores alterem o rumo dos acontecimentos dentro de um mesmo filme. Para isto, são escritos filmes especiais, nos quais os atores são filmados em diferentes posições e com diversas expressões, em um ambiente com o fundo verde. Ao assistir, o público provoca mudanças no ambiente, altera o estado emocional dos personagens e toma decisões de tal maneira que a evolução da história pode surpreender até mesmo o seu próprio autor. Segundo o Prof. Bruno Feijó, esta técnica não muda o futuro do cinema, mas certamente cria uma nova forma de arte. “Escrever uma história deste jeito requer uma nova linguagem cinematográfica. Participar é diferente, pois aproxima o público e pode ser feito por várias pessoas ao mesmo tempo”, comenta Edirlei Soares.

As cenas podem ser modificadas através do reconhecimento de gestos ou de voz, na frente da tela, ou acionando algum dispositivo de controle. Por exemplo, se os espectadores exprimem rejeição com movimentos da cabeça, ações na história são mudadas. As transições de cenas são cinematograficamente coerentes com o clima e o desenrolar da história.
Confira no vídeo abaixo um curta metragem (bem simples) que ilustra a técnica.

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