EBC prepara teste piloto de Ginga com canal de retorno

A Empresa Brasileira de Comunicações está preparando um teste piloto para oferecer serviços públicos através do sinal de TV digital aberta usando o middleware de interatividade Ginga e com possibilidade de canal de retorno para que o usuário também possa enviar informações. O objetivo é usar os resultados do piloto na elaboração de um projeto nacional que será apresentado ao governo para impulsionar o uso do Ginga através da TV pública e “criar uma política de estado”, afirmou o superintendente de suporte da estatal, André Barbosa Filho.
Barbosa participou nesta quinta-feira (9) de um debate sobre TV digital na Campus Party, em São Paulo, onde defendeu a necessidade da TV pública levantar a bandeira da interatividade na TV aberta, uma vez que as emissoras comerciais não têm interesse na tecnologia por não haver um modelo de negócios consolidado para a publicidade com Ginga. “Quem tem que tocar esse projeto é a TV pública: é quem vai prestar os serviços públicos, é quem não depende da receita da publicidade. A TV pública é a sociedade na casa da pessoa”, disse ele.
Os testes devem ocorrer nos próximos 6 meses em 3 cidades de diferentes tamanhos, e contarão com o apoio da Telebras, que fornecerá a rede de canal de retorno. Entre as propostas em estudo está a possibilidade de entregar conversores de TV digital embarcados com Ginga e aplicativos de serviços públicos como SUS, Previdência e Caixa a beneficiários do Bolsa Família, e a partir daí medir e analisar o uso dos aplicativos pela população. A EBC também planeja abrir editais para o desenvolvimento dos aplicativos que serão usados no piloto.
Outro plano em análise citado pelo superintendente é o de reservar um pequeno porcentual da receita de grandes estatais como Petrobras para investimentos em publicidade interativa, que use o Ginga, nas emissoras comerciais. “Você precisa criar um modelo de TV que permita a convivência entre a publicidade antiga e a interativa”, disse Barbosa.

Frequências

Barbosa também comentou que a EBC está trabalhando para reaver as faixas de canal UHF de 60 a 68, que seriam reservadas para o sinal digital das TVs públicas, mas ocupam a disputadíssima frequência dos 700 MHz, atualmente usada para a TV analógica, mas que é reivindicada pelas operadoras para uso no serviço de telefonia móvel 4G. O superintendente, no entanto, não quis dar mais informações.

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