Entenda a greve dos professores da Unesp de Bauru

A greve foi votada por docentes e técnico-administrativos, tendo sido aprovada por contraste por ambas as categorias. (Foto: Mariana Bertacini/ACI FAAC)

 

Da redação SICOM-PET, Pedro Maziero


Em assembleia conjunta entre servidores técnico-administrativos e servidores docentes da Unesp de Bauru, realizada no dia 01 de junho, foi deliberada greve imediata para ambas as categorias.

O movimento entra em consonância com o que ocorre em outros campi da Unesp – Marília, Araraquara e Franca –, em que os docentes também estão paralisados por tempo indeterminado, bem como nas outras universidades estaduais paulistas, USP e Unicamp.

A adesão à greve docente ainda é parcial – são frequentes os relatos de professores que tentam manter a regularidade de suas atividades, aplicando até mesmo avaliações. Hoje, 06 de junho, foi realizado um ato unificado entre as categorias docente, estudantil e técnico-administrativa justamente com o objetivo de informar e conscientizar alunos e servidores distantes do movimento sobre as pautas reivindicadas e a necessidade de mobilização.

 

Reajuste Salarial

 

Uma crítica frequentemente dirigida ao movimento dos professores é a limitação de suas pautas à questão salarial (Foto: Pedro Maziero)
Uma crítica frequentemente dirigida ao movimento dos professores é a limitação de suas pautas à questão salarial (Foto: Pedro Maziero)

 

 

A principal bandeira levantada por docentes e técnico-administrativos é a do reajuste salarial. Maio é o mês do dissídio para esses servidores, e a negociação ocorre na articulação entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (CRUESP) – orgão que congrega os três reitores de USP, Unesp e Unicamp – e o Fórum das Seis – que reúne as organizações sindicais e estudantis das mesmas instituições.

A reivindicação dos servidores é por um reajuste de 12,4%, sendo que 9,4% corresponde à reposição da inflação, e 3% à reposição de perdas históricas. A contraproposta levantada pelo CRUESP, no entanto, é de apenas 3% de aumento – imediato para USP e Unicamp, mas sem data definida para efetivação na Unesp. A alegação do reitor Julio Cezar Durigan é de que o orçamento da universidade não permite nenhum reajuste na atual conjuntura.

Na última reunião entre o CRUESP e o Fórum das Seis, realizada no dia 30 de maio, foram consolidados esses posicionamentos e houve um encerramento unilateral da negociação – segundo o professor Álvaro Crósta, vice-reitor da Unicamp, que cobria a ausência do reitor efetivo, a discussão só será retomada quando houver alguma mudança no quadro de arrecadação do ICMS, imposto estadual que tem 9,57%  de sua totalidade compondo o orçamento das universidades paulistas.

O efeito prático da proposta é de nenhum aumento imediato para servidores da Unesp, o que não só difere muito dos 12,4% pleiteados, mas também fere a isonomia pressuposta entre as três universidades públicas paulistas.

 

Outras reivindicações e unificação com a categoria estudantil

 

No dia 30 de maio, na última reunião do CRUESP com o Fórum das Seis, docentes, discentes e técnico-administrativos se reuniram em frente à sede do orgão para protestar (Foto: Mobiliza Bauru/Divulgação)
No dia 30 de maio, na última reunião do CRUESP com o Fórum das Seis, docentes, discentes e técnico-administrativos se reuniram em frente à sede do órgão para protestar (Foto: Mobiliza Bauru/Divulgação)

 

Nas falas enunciadas durante a assembleia do dia 01 torna-se claro que a principal bandeira da mobilização dos docentes é, realmente, o reajuste salarial.

Alguns professores, no entanto, levantaram a necessidade de contemplação das pautas estudantis, e de pautas mais estruturais concernentes ao sucateamento do ensino público no Brasil.

“Eu sou trabalhador, eu sobrevivo do salário que eu ganho. Mas a gente sabe que para nós fazermos a defesa de uma universidade pública, democrática, de qualidade, que atenda à necessidade social, não basta apenas repor o salário”, é o que levanta o professor Juarez Xavier, do departamento de Comunicação Social.

Ele defende a necessidade de pautar a defesa da universidade pública, gratuita, inclusiva; a retomada da contratação de professores efetivos e do plano de carreira funcional; a democratização das esferas de tomada de decisão, que atualmente contam com uma representação desigual entre docentes, técnico-administrativos e discentes; bem como a ampliação das condições de permanência estudantil, o que inclui bolsas-auxílio, moradia e restaurante universitário.

Os estudantes, em assembleia geral no dia 02 de junho, acabaram por também deliberar greve. A unificação com o movimento dos professores ainda é, no entanto, uma pauta a ser discutida. Embora o apoio mútuo entre as categorias seja visto como positivo, alguns dos integrantes do movimento estudantil reforçam a ideia de que é importante manter uma certa autonomia, já que há um histórico de o movimento “rachar” quando os professores alcançam seu reajuste.

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