Entrevista com Flávio Queiroz

Da Redação SICOM PET, por Gabriela Ferri

A equipe do SICOM PET entrevistou essa semana o 2º Assistente de Direção do filme Quarta B, Flávio Almino Queiroz. A conversa mostra um pouco do que será discutido no Cine PET dessa terça-feira, 27/03.

SICOM PET – Como ficou sabendo da produção do filme Quarta B? Já havia lido o roteiro antes?
Flávio Queiroz – Eu sou amigo do Joel Lopes, Diretor de Fotografia do filme, ele me falou sobre a ideia, disse que estavam precisando de pessoas para ajudar na produção e perguntou se eu me interessava. Não tinha lido o roteiro, mas ele me contou mais ou menos o enredo e falou sobre o conceito. Fui apresentado ao Marcelo e a equipe do filme já no estúdio no dia do pré-light, dois dias antes do primeiro dia de filmagem.

SICOM PET – O quanto foi importante para você participar da produção do filme?
Flávio Queiroz – Sem dúvida, foi uma experiência maravilhosa. Já havia feito cinema da forma convencional, mas no caso do Quarta B, o que mais me cativou foi o conceito, pois não apenas produzimos um longa em seis dias, como geramos mais material bruto do que a grande maioria dos filmes.

S – Como foi trabalhar com Marcelo Galvão? Vocês ainda mantêm contato?
F – Para mim foi o grande presente dessa história. Claro que tudo que eu estou falando aqui sobre conceito é importante, mas nada disso teria o mesmo peso sem a gerência do Marcelo. O mundo é muito cheio de teorias e algumas pessoas acabam idealizando essas teorias, o Marcelo é uma dessas pessoas que vai lá e faz. Além de ser um ser humano fantástico, que sempre se preocupa com os amigos. Desde o Quarta B nos tornamos amigos e temos feito muitos trabalhos juntos.

S – Ouvi dizer que durante as gravações o set foi invadido pela polícia, por causa de uma denuncia dos moradores da região. Como foi a reação de vocês da produção?
F – Na hora foi complicado, não sabíamos o que fazer. Todo mundo tentava resolver a situação ao mesmo tempo e a coisa passou a ficar sem comando, virou gritaria, gerou uma perda de tempo, coisa que a gente já não tinha muito para perder. Mas, no final de tudo, diria que esse fato não influenciou negativamente em nada e talvez até tenha ajudado. Se levarmos em consideração, que por causa disso, acabamos dublando partes do filme que não estavam previstas e isso ajudou bastante na montagem, além da divulgação espontânea.

S – O filme é conhecido por sua produção com baixo orçamento, o que isso influenciou nos 6 dias de filmagem?
F – Tudo foi influenciado pelo orçamento que inclusive mudou a ordem das coisas, pois normalmente se tem um roteiro e viabiliza-se o mesmo, no caso do Quarta B, o próprio roteiro foi criado em função do orçamento. Como o próprio Marcelo sempre diz, “escreva um roteiro que caiba dentro do seu orçamento” e foi isso que ele fez. Então eu diria que os 6 dias de filmagem fizeram parte da fórmula para que tudo isso se concretizasse, juntamente com outros fatores, o formato de captação escolhido foi o Mini DV, o que barateou bastante, os atores tinham ensaiado tudo e tínhamos 2 ou 3 câmeras quase que em tempo integral possibilitando uma agilidade e dando mais mobilidade na hora de gravar, toda a equipe e os atores foram sócios do filme, tornando o assim um risco coletivo.

S – Em relação ao cinema brasileiro, pensando como um espectador, em sua opinião, quais as produções nacionais mais importantes?
F – É difícil mencionar trabalhos específicos, tendo em vista que muitos tiveram papéis importantíssimos, e seria injusto citar apenas alguns. Em minha opinião, o Brasil já provou que tem potencial e o que temos visto ultimamente nas telas só comprova essa capacidade. Se fizermos uma comparação com o os EUA que é a indústria cinematográfica mais em evidência, eu acho que proporcionalmente, desde o começo do cinema, temos tido produções melhores se levarmos em consideração em cada época, o dinheiro investido e o número de produções concluídas que fizeram sucesso. 

S – O que falta para as produções brasileiras atraírem mais a atenção dos patrocinadores?
F – Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares. Todo mundo quer saber isso. Acredito que estamos caminhando para isso, gostaria que tudo fosse mais rápido, mas se olharmos para trás, iremos perceber que já andamos um bocado.

S – Com 16 anos de experiência em produções audiovisuais, qual seria um bom conselho para quem esta começando agora na área?
F – Fazer, fazer e fazer. Em minha opinião, a melhor maneira de aprender é fazendo. Não interessa a sua função ou o tamanho do trabalho. Na nossa área, quanto mais se treina melhor sai o próximo resultado. Vejam os exemplos: Fernando Meireles, Valter Sales, o próprio Marcelo, muitas pessoas acham que o sucesso deles veio da publicidade, acredito que o sucesso deles veio porque a publicidade faz com que você treine muito no dia a dia.

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