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Mariana Torquato – Uma mãozinha na Desconstrução

 

Mariana Torquatto já cursa uma segunda faculdade e no YouTube desconstrói a imagem que a mídia e a sociedade brasileira possuem sobre as pessoas com deficiência

 

Da redação Sicom-PET, Daniele Fernandes

Foi para celebrar o início das Paralimpíadas que a revista de moda Vogue convidou as celebridades Cléo Pires e Paulinho Vilhena para estrelar sua campanha Somos Todos Paralímpicos. Na campanha eles representavam paratletas e suas respectivas deficiências. O ensaio gerou revoltas, acusando a revista de capacitismo*.

A campanha revoltou tanto a catarinense de 24 anos, Mariana Torquato que ela teve que fazer um vídeo. Ela começa falando: “Acho que muita gente esqueceu o que significa representatividade…” e segue dando uma aulinha descontraída e informativa. A descontração também está no nome do seu canal no Youtube, “VAI UMA MÃOZINHA AÍ?”, já que, devido a uma má formação, Mariana nasceu sem o antebraço esquerdo, deixando o nome do canal, autoexplicativo.

Em conversa com o Sicom-PET a youtuber explica um pouco mais sobre seu canal e as dificuldades de uma pessoa com deficiência.

 

R: Como você descreve o seu canal?

M.T: Meu canal foi feito para criar consciência em relação a vida das pessoas com deficiência, como a gente vive a vida de forma igual aos outros, a não ser quando o sistema nos impõe barreiras, que aí já não podemos controlar.

 

R: A deficiência não é muito vista na indústria do entretenimento, e quando é mostrada são pessoas simulando uma deficiência, como a capa da vogue com a Cléo Pires. Como você enxerga esse cenário?

M.T: A deficiência não é nada vista na indústria do entretenimento, e quando é ela vista tem um estereótipo de fraqueza, sofrimento, possui traços de capacitismo que não acho não tem mais motivo para estar na mídia. A capa da vogue da Cléo Pires me deixou tão brava que eu tive que fazer um vídeo, o primeiro vídeo do canal. Eu enxergo esse cenário uma coisa que precisa ser atualizado muito.

 

R: O seu canal é uma afronta aos padrões da mídia?

M.T: Não, eu não acho que o canal é uma afronta dos padrões. É uma conscientização de que o padrão mesmo não existe. Nós não somos objetos para ter um padrão. Somos diferentes, com ou sem deficiência.

 

R: E Quais são as principais dificuldades que você encontrou durante a vida?

M.T:  Acho que a maior dificuldade que eu encontrei da minha vida foi aceitar que eu era assim, que a minha diferença era na cara. Eu sou assim, não ia mudar entendeu foi uma das principais dificuldades que eu achei. Então é difícil? É, mas depois eu comecei a me amar tudo mudou. Então é difícil? É, mas vale muito a pena. Amor próprio vale muito a pena. Acho que é um dos amores que mais vale a pena nesse mundo.

*E afinal, o que é Capacitismo?

É a discriminação das pessoas com algum tipo de deficiência. É a ideia de que quem possui alguma deficiência é incapaz. E a Mariana explica um pouco mais, e muito melhor, o assunto.

Toda semana essa linda solta um vídeo lacrador como esses acima, desmitificando e instruindo quem assiste. O seu canal, em pouco mais de 6 meses já tem mais de 39 mil inscritos, e é um lugar sensacional para a desconstrução. Dê uma conferida. 😉

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