Experiência com Pókemon GO

Imagem: divulgação

Da Redação SICOM-PET, Gabriela Moraes Montoro

Pokémon GO saiu apenas na quarta-feira no Brasil, mas você provavelmente já está cansado de ouvir falar do jogo. Febre mundial e muito aguardado pelos brasileiros, o aplicativo já recebeu críticas e elogios em muitos níveis, de charges agressivas a ser chamado de “tudo o que há de pior no capitalismo tardio” (e também o que há de melhor e algo entre os dois).

 

Para alguns é só uma fonte de prints engraçadas. (Imagem: reprodução/ imgur)
Para alguns é só uma fonte de prints engraçadas. (Imagem: reprodução/ imgur)

 

Hoje, um amigo me chamou para ir com ele até uma bicicletaria, a uns 2km de casa, passando em alguns pontos de interesse para o jogo (os ginásios e pokéstops) e eu aceitei. Gostaria de fazer um relato de algumas coisas que observei, sobre o jogo em si e também os jogadores e seu impacto.

 

 

Primeiro de tudo: identificar outros jogadores na rua é muito fácil, de forma até cômica. Encontrei várias pessoas jogando, quase todas em duplas ou trios, e pelo menos um do grupo olhando fixamente para o celular, sem digitar. Na maior parte das vezes, trocamos olhares e sorrisos de reconhecimento. Observei também que pelo menos um do grupo estava prestando atenção na rua e nos arredores,ajudando os amigos a se guiar em segurança. É um sistema bem natural e também bem inteligente.

 

 

 

(Imagem: reprodução/ Pandlr)
(Imagem: reprodução/ Pandlr)

 

Encontramos no caminho uma amiga que mora próxima a nós, andando com um rapaz que não conhecíamos. Ela decidiu estender seu caminho andando com a gente, enquanto o rapaz ia embora. Essa amiga sofre de ansiedade e agorafobia, e raramente a vejo saindo de casa, especialmente a pé. Ela nos disse no caminho que o jogo tem ajudado ela bastante com seus problemas sociais, além de fazer ela sair de uma recente vida sedentária – ela já tinha andado 2km quando nos encontramos e andamos mais 4km.

 

O jogo é gratuito e tem microtransações, mas elas não são invasivas ou necessárias para o progresso no jogo, pois os pokéstops e as recompensas de nível já te abastecem com itens o suficiente. Em tempos de crise econômica, entretenimento gratuito e inovador é o que as pessoas buscam. Consigo jogar com um smartphone médio de 2 anos atrás bastante popular e uma internet móvel de qualidade duvidosa, mesmo que com um pouco de dificuldade.

 

Vi muitas críticas ao jogo, chamando seus jogadores de alienados e escravos da tecnologia, mas acredito pessoalmente que elas são vazias e reflexivas, uma autodefesa a algo que é “popular demais”. Pokémon GO aliena da mesma forma que filmes, televisão, música ou qualquer outro tipo de entretenimento. Mas ele faz as pessoas saírem de casa, se divertirem entre amigos e se exercitarem – uma adição bem-vinda para toda essa geração, que trabalha sentada e consome entretenimento deitada.
Eu iria ainda mais além. Pokémon GO usa da gameficação para a ocupação do espaço público. É a ludologia levando pessoas que têm o costume de passar seus momentos de lazer em casa sozinhas para ruas e praças em grupo.

Amigas jogando no Riverside Park, Victoria, Texas. (Savannah Blake para o The Victoria Advocate, Creative Commons)
Amigas jogando no Riverside Park, Victoria, Texas. (Savannah Blake para o The Victoria Advocate, Creative Commons)

 

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Wesley Anjos

Jornalista em formação, escritor e ator nas horas vagas. Típico amante das artes, é viciado em fabular e beber mate, não necessariamente nesta ordem.

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