Falta de água prejudica moradores de Bauru

Oposição na câmara não acredita em soluções prometidas pelo DAE; Gestão de recursos hídricos está na pauta da Rio+20

Colaboração
por Amanda Pioli, Felipe Mateus, Luciana Fraga
Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp



Nos últimos meses, os moradores de Bauru foram prejudicados com a falta de água em diferentes pontos da cidade. Bairros como Bela Vista, Cidade Universitária, Bauru XVI, Jardim Marília, Núcleo Nove de Julho, Parque Jaraguá, Jardim Vânia Maria, Parque Santa Edwiges e Vila Dutra foram afetados. No total, cerca de 50 mil moradores ficaram sem água, segundo estimativa da imprensa. 

De acordo com a assessoria de comunicação do Departamento de Água e Esgoto (DAE), há dois motivos principais para a escassez em Bauru: o aumento crescente da população nos últimos anos e o consumo excessivo em dias de calor intenso, o que leva a uma alta demanda por água e a consequente diminuição dos níveis dos reservatórios. 
A assessoria também informou que o problema teria sido desencadeado por um defeito na bomba do Poço Gasparini no dia 16 de abril. Questionado sobre a demora no conserto, o DAE alegou que a profundidade do poço – de 393 metros – e as dimensões da bomba dificultaram o serviço. No ano passado, a mesma bomba apresentou defeito 15 dias após a instalação. 
Revoltados, os moradores protestaram. Conforme noticiou a imprensa, no Jardim Marília, depois de três dias sem água, houve apedrejamento de um ônibus no dia 18 de abril. Uma estudante, no dia 19, invadiu o DAE para tomar banho e mobilizou os funcionários da autarquia. Nesse mesmo dia, um homem tomou banho na Praça da Bíblia, no Bela Vista. 
Segundo a aposentada Maria Rosely de Oliveira Souza, 64, moradora da Cidade Universitária, a situação atrapalhou sua rotina; “Não lavei louça, não reguei as plantas. Tomava banho na casa da minha filha. A água é um produto essencial e nós temos o direito de tê-la sempre”, desabafa. 
Para tentar solucionar o problema, quatro novos poços devem passar a funcionar em 2012 nos bairros Marambá, Vila Cardia, Octávio Rasi e Bauru XVI. Desses, os três primeiros devem estar prontos dentro de um mês. Segundo o DAE, isso resolverá o problema de desabastecimento de água em algumas regiões. Também foi aprovado pela Câmara Municipal um adiantamento de seis milhões de reais para as obras. A cidade conta com 29 poços e 32 Unidades de Reservação (UR). 
O vereador Marcelo Borges (PSDB) é um dos que criticam a atual administração da questão da água em Bauru. Para ele, a autarquia está sucateada e um dos motivos dessa inabilidade do Departamento é o apadrinhamento e o loteamento político. “Hoje o DAE não consegue prestar o mínimo de serviços que é dar água à população e, muito menos, não tem capacidade técnica para tratar o esgoto da cidade”, comenta. 
Água em destaque na Rio+20 
A presidente Dilma Rousseff vai aproveitar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, para lançar uma série de medidas para a área ambiental e social, que incluem a gestão de recursos hídricos. As medidas devem incluir desde anúncios de aumento de áreas de conservação até a ampliação do Bolsa Verde, que dá incentivo financeiro às famílias de baixa renda que desenvolvem atividades de conservação no meio rural. 
O anúncio vem antes da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro de 13 a 22 de junho, 20 anos depois da Eco-92, a primeira discussão de âmbito mundial sobre o tema. 
Para David Montenegro Lapola, professor do Departamento de Ecologia da Unesp de Rio Claro, pensar em uma solução para o problema da água é essencial para um país se desenvolver de forma sustentável. Segundo ele, que apresentará uma palestra sobre mudanças climáticas na Rio+20, “o Brasil não se posiciona muito sobre a questão porque, ao contrário de países como Israel, não sofremos de escassez desse recurso natural. Apesar disso, nos preocupamos com a qualidade da água.” 
A Minuta Zero, documento que vai nortear o debate durante a conferência, foi feita pelo Brasil em parceria com diversos países-membros da ONU e está em fase final de elaboração, em Nova York. Um dos principais temas trata de energias renováveis, que inclui as hidrelétricas e todas as consequências para a natureza do uso de seus recursos hídricos. 
(Colaboraram: Ana Cláudia Tripoloni, Brunara Ascêncio, Bruno Sisdelli, Camila Franzoni, Lucas Gandia, Mariane Bovoloni, Matheus Fontes, Mirela Dias, Odelmo Serrano e Tainá Goulart) 

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