Gravações revelam ligação entre Veja e Cachoeira

Acusado forneceu informações para muitas denúncias publicadas em primeira mão pela Revista

Colaboração,
por Amanda Pioli, Ana Cláudia Tripoloni, Mariane Bovoloni,Tainá Goulart
Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp



Duzentas ligações telefônicas, gravadas pela Polícia Federal, mostram uma relação entre o editor-chefe e diretor da sucursal de Brasília da Revista Veja, Policarpo Júnior, e o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira. A ligação teria a suposta aceitação de Roberto Civita, dono da publicação e presidente do grupo Abril. De acordo com as gravações, o empresário estaria por trás de muitos dos furos jornalísticos da Revista. 
Auxiliado por Jairo Martins, ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência, Cachoeira conseguia gravações que comprometiam seus adversários e as repassavam com exclusividade a Policarpo. 
Segundo as gravações, a relação funcionava assim: Cachoeira atacava seus adversários políticos, enquanto a Veja se beneficiava levando a público ilicitudes dos partidos aos quais fazia oposição. Foi o caso da denúncia do “Mensalão”, esquema de corrupção que envolvia políticos do governo PT, denunciado em primeira mão pela Veja. 
O executivo Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e dono da publicação, tem como missão impedir que Roberto Civita seja convocado para depor nas investigações. Instaurada no dia 19 de abril, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) apura as relações entre o acusado com deputados, senadores e agentes públicos. Civita tem sido sucedido em defender a neutralidade da Revista, e conta com o apoio de outros dirigentes de grandes grupos de comunicação. 
João Roberto Marinho, da Globo, e Otávio Frias, da Folha de S. Paulo, apoiam o não-envolvimento de jornalistas no caso – alegando que o jornalista tem, garantido por lei, o direito de manter o sigilo de suas fontes – e defendem, inclusive, a retaliação ao governo, caso os profissionais ou empresários da comunicação sejam convocados para depor.

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