História de um instante – o fotojornalismo e os tempos mortos

Da Redação Sicom PET, por Beatriz Haga

Um gesto, um vazio, um silêncio, um embaraço, um sorriso, um desvio de olhar. São segundos que podem ter mais significados e refletir uma realidade do que um longo diálogo. A vontade de registrar esses momentos fez com que fossem criados mecanismos e objetos capazes de, alguma maneira, eternizá-los. Isso foi possível com a câmera fotográfica e de vídeo, que nunca perderam a popularidade desde suas criações. Ao contrário, com o tempo elas ficaram mais compactas, acessíveis e precisas.
A captação de imagens tornou-se popular no jornalismo graças aos equipamentos e advento da fotografia. A ideia inicial era complementar e dar credibilidade ao texto em veículos impressos. Mas em meados de 1900, a fotografia passou a ser vista não só como uma ilustração para as matérias, mas também como um conteúdo capaz de informar por si só. Esse foi o início do fotojornalismo e do processo de seu reconhecimento como profissão.
O fotojornalismo ganhou forças quando grandes acontecimentos mundiais eclodiram, como a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. A ânsia por cobrir os conflitos e registrar o que estava acontecendo, fez fotógrafos como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa se destacarem. Os momentos captados contavam histórias pessoais, de um povo e uma nação, considerados por Bresson como o “instante decisivo”.
O cinema também mostrou a força da imagem e percebeu rapidamente que não era preciso palavras e diálogos para transmitir uma ideia, um conceito. Apesar do cinema falado ter substituído quase totalmente o cinema mudo desde os anos 30 e ser preferência mundial na atualidade, os tempos mortos, as cenas em que aparentemente nada acontece, e o processo de significação das imagens são escolhidos por realizadores para ampliar o olhar e a percepção do público.

Antonioni era um cineasta que constantemente usava tempos mortos em suas produções. 
O tema “Jornalismo de Aventura – Histórias por imagens” será discutido na Semana da Comunicação de Bauru (SeCom 2013) em uma mesa específica de Jornalismo, que contará com Marina Klink (esposa do velejador Amyr Klink e fotógrafa das expedições) e Matthew Shirts (redator-chefe da revista National Geographic Brasil).

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