Intercâmbio Social: um relato sobre a experiência na Polônia

Um relato sobre por que tal modelo de intercâmbio tem ganhado força entre os estudantes do país

Da redação SICOM-PET, Raquel Ribeiro

Meu nome é Raquel Schmidt Ribeiro e sou estudante do curso de Relações Públicas da UNESP de Bauru. Sempre tive uma enorme vontade de viajar o mundo e entrar em contato com culturas diferentes. No segundo semestre de 2015 fui capaz de realizar tal sonho.

No dia 16 de setembro embarquei rumo a Polônia, um lugar com todas as diferenças possíveis quando comparado ao Brasil. Chorei no dia da ida, foi uma mistura de ansiedade e medo que jamais conseguirei explicar. Chegando lá, olhei ao meu redor e, finalmente, entendi que o que estava acontecendo era real. Eu iria passar dois meses longe de casa, convivendo com pessoas que nunca tinha visto antes, em um clima frio, ouvindo uma língua impossível de se pronunciar.

No começo eu acreditava que o intercâmbio social era um meio de unir tudo o que eu gostaria na época: Viajar, conhecer novas culturas, exercer voluntariado e melhorar meu currículo. Entretanto, foi muito mais do que isso.

Escolhi meu intercâmbio de acordo com o projeto da AIESEC – órgão internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens estudantes através de programas de intercâmbio – que me identificasse mais. Quando surgiu a vaga na Polônia para ensinar sobre cultura brasileira em escolas, abracei na hora. Foi a única vaga a qual me candidatei e tive a certeza que daria certo, tinha que dar. E deu.

Uma das aulas da qual raquel participou, no Jardim de Infancia no vilarejo de Tarnow Opolski, Polônia. (Foto: Arquivo pessoal/ Raquel Ribeiro)
Uma das aulas da qual raquel participou, no Jardim de Infancia no vilarejo de Tarnow Opolski, Polônia. (Foto: Arquivo pessoal/ Raquel Ribeiro)

Durante o tempo em que estive lá, trabalhei durante 6 semanas, uma semana em cada cidade diferente. Ou seja, a cada semana era obrigada a me mudar de casa, viver com uma família diferente e começar a trabalhar em outra escola.

Alguém muito especial me disse que o intercâmbio não era feito só de momentos bons. Essa pessoa estava incrivelmente certa, não foi fácil. Houve momentos muito difíceis inclusive. E foi nesses momentos que comecei a ver a minha transformação acontecendo.

A cada criancinha que me abraçava, e a cada adolescente que vinha me agradecer pelas aulas, eu entendia o verdadeiro motivo de estar ali. Era algo muito maior do que currículo, trabalho ou simplesmente viajar. Eu estava ali tanto para aprender quanto para ensinar que o mundo é muito maior do que pensamos. No planeta existem milhares de culturas. Cada uma é uma benção e devemos sempre buscar aprender com elas.

Intercâmbio social não é simplesmente trabalhar em projetos sociais e acelerar o aprendizado de uma língua estrangeira, é uma infinidade além disso. É ajudar pessoas, é entender que se comunicar vai além do idioma, é ficar sem palavras, é chorar de saudade casa e chorar porque queria ficar mais. É entender que amor vai muito além do namorado, dos pais e da família. Eu amo profundamente pessoas que conheci nesse intercâmbio e mesmo que nunca volte a vê-las, foram todas as pessoas que conheci nesses dois meses que fizeram essa viagem a Polônia inesquecível.

Membros do projeto no escritório da AIESEC em Wroclaw. (Foto: Arquivo pessoal/ Raquel Ribeiro)
Membros do projeto no escritório da AIESEC em Wroclaw. (Foto: Arquivo pessoal/ Raquel Ribeiro)

Me lembro de todo o processo, de todas as pessoas que me ajudaram e tornaram essa experiência possível. Aos membros da AIESEC/Bauru, obrigada. Aos meus pais que sempre me apoiaram em casa decisão e passaram algumas noites sem dormir, obrigada. Aqueles que me acolheram em suas casas e me trataram tão bem, obrigada.

Muitos não compreendem ainda a importância de intercâmbio social e se sentem estranhados ao ouvir o termo. Meu interesse com esse texto não é diminuir as outras tantas formas de intercâmbio que existem, apenas relatar como o meu intercâmbio mudou o meu olhar sobre todas as coisas.

Se você tem a oportunidade, não descarte. Se o dinheiro está curto, esse é o melhor intercâmbio pra você. Se você busca conhecer outros, faça. Se busca conhecer a si mesmo, faça mais ainda.

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