Jornalismo mirim

 

Apenas com um blog e sua insatisfação frente a realidade, estudante de 13 anos chama a atenção do país para o problema da educação


Da Redação SICOM PET,

por Paula Monezzi

De repente, o sucesso. O que até então lhe rendia críticas e represálias, do dia para noite – ou melhor, da manhã para noite – a transformou numa heroína. Que o sistema de educação pública é de péssima qualidade na maioria dos casos todo mundo sabe, mas coragem para expor isso a quem quisesse ver estava em falta. Isadora Faber, de 13 anos, veio para fazer barulho. Aluna da escola pública Maria Tomazia Coelho, da capital catarinense e insatisfeita com a qualidade do ensino que recebe, criou um página no Facebook
 e não pensou duas vezes: começou a publicar  na página fotos, vídeos e textos sobre falhas de infraestrutura, falta de preparo profissional, merenda a desejar e desleixos que colocam em perigo a vida dos alunos .
O resultado? Foi mal vista pelos colegas, pelos professores, pela diretora e pelos funcionários da escola. Muitos não entendiam a ação e criticavam a exposição que sofreram ao Isadora fazer a página. “Estou fazendo essa página sozinha pra mostrar a verdade sobre as escolas públicas. Quero o melhor não só para mim, mas para todos”, afirma a estudante na página. Em vídeos, se questiona sobre a falta de apoio e explica suas motivações. “Quando o bebedouro está quebrado e nós queremos beber água, quem fica na fila após a educação física somos todos nós. Quando saímos suados da aula de educação física e vamos para a sala de aula, pedimos para ligar o ventilador, mas ele não funciona. Isso afeta todo mundo, não apenas eu”, defende.
 Apesar das represálias que dizia sofrer, continuou a fazer as postagens na rede social e na segunda feira, dia 27, as denúncias surtiram efeito. Os acessos e o número de “curtidas” na rede aumentaram estrondosamente (de 1000 para 14 mil em poucas horas), levando a menina ao topo das notícias. Todas as mídias – sejam de esquerda ou de direita, e de todos os segmentos – publicaram a luta da pequena estudante.
Apenas dois dias depois do “boom”, o Ministério da Educação diz apoiar e defender a iniciativa de Isadora. Tida como alguém que questionou o sistema e incomodou bastante, alguns dizem que ela é a ponta do iceberg de uma revolução que está por vir. Seja como for, ela balançou as autoridades e chamou a atenção para o descaso com a educação pública no país. Quase 170 mil pessoas curtiram a página da garota até então, o que mostra, no mínimo, que ela não é a única a demonstrar insatisfação pela realidade. E foi essa corrente que fez, do dia pra noite, mudanças radicais na escola de Isadora: bebedouros foram instalados, reformas estão sendo feitas, defeitos estão sendo corrigidos. Isadoras do Brasil, uni-vos!
 
             Charge: Frank Maia.

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