Luto na Literatura mexicana e mundial

Da Redação SICOM PET,

por Gerardo Martínez – estudante da Universidad Nacional Autónoma de México
Exemplos de amor pelo México. Trabalho como sobrenome de direito. Acima de tudo, um escritor incrível. Esse foi o memorável Carlos Fuentes. O pensador mexicano, vencedor do Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura espanhola, morreu no último dia 15 de maio, aos 83 anos, na Cidade do México. O anúncio do presidente do México Felipe Calderón despertou uma maré de reações pelo mundo. 
Um dos mais importantes intelectuais latino-americanos, Fuentes deixa um legado com mais de 60 livros, produzidos ao longo de mais de meio século. Ele costumava dizer que não trocava a literatura por nada, só lamentava não ter tido tempo suficiente para escrever todas as histórias que imaginou. 
Além de romancista, foi novelista, ensaísta e diplomata. Fuentes é conhecido por seu olhar crítico sobre a sociedade mexicana contemporânea e a política conservadora do ex-presidente americano George W. Bush. Seus artigos sobre o tema foram compilados em 2004 no livro Contra Bush. Outras obras de destaque são “Aura” (1962), Terra mostra (1975) e Gringo velho (1985). 
O escritor despontou na literatura latino-americana com a publicação de “A região mais transparente” (1958), com a qual recebeu os mais importantes prêmios literários em espanhol e seu nome foi cogitado para ganhar o prêmio Nobel em suas quatro décadas de atividade literária. 
“A eternidade de um livro depende de seus leitores”, afirmou Fuentes em uma entrevista feita pela jornalista e escritora mexicana Christina Pacheco em seu programa Conversando com Cristina Pacheco. Em 2008, ao completar 80 anos, o governo mexicano organizou para o autor uma festa nacional, na qual ele comentou sua relação com a escrita. “Deve-se ter muito medo de escrever. Não é um ato natural como comer ou fazer amor, é de certa forma, um ato contra a natureza. É dizer à natureza que não se basta a si própria, que precisa de outra realidade, da imaginação literária”, confessou o genial literato. 
“O espirito não morre. Translada-se”, escreveu o autor no seu livro Em esto creo (2008). Da mesma forma ele também é considerado pelos milhões de leitores que não vão permitir a morte de seu legado histórico.

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