O cinema do Morrinho

Da Redação SICOM PET, por Beatriz Haga

Criatividade e oportunidade. Foram as condições necessárias para que moradores do morro Pereira da Silva, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, organizassem uma ação com o intuito de mudar a visão das pessoas sobre as favelas brasileiras. A história começou com uma brincadeira de criança, passou pela produção audiovisual, chegou à Europa e está longe de seu fim.

 


Projeto Morrinho

 

Em 1997, Nelcirlan Souza de Oliveira tinha apenas 14 anos e era recém-chegado no Rio de Janeiro. Logo de cara, o garoto se interessou pelo cotidiano e paisagem das favelas e em seu próprio quintal montou uma maquete de 350 metros quadrados com a ajuda de mais sete meninos. A construção foi chamada de Morrinho e servia como cenário onde as crianças recriavam a sua própria realidade com bonecos LEGO.

 

Foi assim que nasceu o Projeto Morrinho, em 1998, com o intuito de desmistificar a visão da favela como um lugar somente de violência, prostituição e tráfico de drogas, através de ações culturais e sociais. A ideia dos meninos atraiu os olhares dos diretores de cinema, Fábio Gavião e Markão Oliveira, que incentivaram os meninos a registrarem suas próprias histórias através de vídeos e os ensinaram a usar câmeras e fazer as edições.
As produções audiovisuais misturavam a ficção, com o uso dos bonecos, e o documental, por tratar de assuntos e situações da vida real dos moradores da comunidade. Os filmes de poucos minutos surpreenderam por sua linguagem e estética. A revolta dos bonecos, Saci no Morrinho e A piscina do Peri foram alguns dos vídeos filmados no Morrinho.

 

O projeto virou ONG em 2007 e é composto pela TV Morrinho, Turismo no Morrinho, Expo Morrinho e Morrinho Social. O grupo exibe maquetes em escala menor pelo Brasil e Europa, como no Fórum Urbano do Mundo (Barcelona), Ponto Ephémère (Paris) e Bienal de Veneza. Em 2008, foi lançado o documentário “Morrinho: Deus sabe tudo, mas não é X-9”, dirigido por Gavião e Oliveira.

Confira o trailer:

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