OPINIÃO: A REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NO ESPORTE

Comparações são feitas por Daniela Colaci, pelo portal Guia da Bola.

1 – (FOTO: FIVB) 2 – (FOTO: AFP)

 

Uma reflexão sobre a visibilidade e a sexualização das atletas na mídia

 

Da redação SICOM-PET,

Juliana Gonzalez (autora convidada)

Wesley Anjos (edição colaborativa)

 

Simone Biles foi a grande estrela feminina nas Olimpíadas Rio 2016, mesmo sendo única com sua performance na ginástica artística, ela não escapou de ser comparada pela mídia a grandes atletas homens como Usain Bolt e Michael Phelps. Isso aconteceu porque o esporte é um meio tradicionalmente masculino. Nas primeiras Olimpíadas da Grécia Antiga as mulheres eram proibidas de participarem dos jogos sob pena de morte. Hoje, com sua crescente inserção, o empoderamento feminino se apresenta no cenário esportivo e enfrenta inúmeros obstáculos, entre eles a representação midiática.

Se antigamente a participação das mulheres no esporte era proibida, hoje ela é quase invisível, e quando aparece, é retratada pelo olhar masculino. O olhar masculino devora a integridade feminina dentro do esporte, e a mídia machista transforma qualquer modalidade em concurso de beleza. A mulher não pode ser uma campeã, ela tem que ser a “mulher de alguém”, “uma mulher que – insira aqui um verbo esportivo – como um homem”, mas, principalmente, a atleta mulher tem que se encaixar nos padrões de feminilidade e ser uma “musa” do esporte. 

 

 

 “O universo esportivo é caracterizado como ambiente masculino e, ainda que a mulher esteja em uma constante busca por reconhecimento, quando seu sucesso como atleta não é condicionado à sua beleza, o tratamento noticioso relaciona o comportamento feminino à fragilidade ou descontrole das emoções” – explica Carolina Bortoleto Firmino, mestre em Comunicação Midiática pela Unesp e especialista em estudos de gênero e esporte. Em sua pesquisa, ela aborda com dados quantitativos e qualitativos toda essa problemática.

 

Saiba mais sobre o objeto de estudo da pesquisadora

 

A questão dos uniformes femininos também foi pauta para grande discussão, principalmente no vôlei de praia, esporte cujo uniforme oficial é composto por biquínis para as mulheres, enquanto os homens podem usar bermudas largas e camisetas. A necessidade do uso do biquíni é questionada pela falta de conforto e funcionalidade que o traje apresenta, sustentando a ideia de que o seu uso é apenas para agradar o público masculino, sexualizando mais uma vez as atletas. O jogo em si se torna coadjuvante e o corpo feminino é o verdadeiro espetáculo.

 

A alemã Sabine Lisicki disse que se sentiu exposta usando o uniformeFoto: Andy Hooper
A sexualização feminina no esporte pode ser vista em outras modalidades também. (Foto: Andy Hooper)

 

A jogadora de pólo aquático, Victória Chamarro, quando questionada pelo jornal Zero Hora sobre a exposição dos corpos da equipe durante o jogo, afirmou: Claro que vai aparecer bunda e peito. É natural no nosso esporte, disputado na água e com as meninas de maiô, mas a sexualização disso é de quem vê, e não nossa”. A sexualização é de quem vê, ou melhor, é de quem escolhe o ângulo, recorta, adjetiva e divulga.

 

Leia mais:

 

10 filmes feministas que você precisa assistir

“Mãe só há uma” debate a construção da identidade na adolescência 

 

 

 

Wesley Anjos

Jornalista em formação, escritor e ator nas horas vagas. Típico amante das artes, é viciado em fabular e beber mate, não necessariamente nesta ordem.

Deixe uma resposta