Segunda edição do Seminário Internacional de Gênero, Sexualidade e Mídia

 

Evento cresce e abrange áreas artístico-culturais
 
Da Redação SICOM PET, por Melyna Souza
Entre os dias 1 a 3 de outubro a Unesp Bauru sediou o II Seminário Internacional de Gênero, Sexualidade e Mídia, organizado pelas professoras Larissa Pelúcio, docente do Departamento de Ciências Humanas da Unesp Bauru, e Heloisa Pait da Unesp Marília. Com a temática “Desafios éticos e metodológicos do presente”, o evento recebeu participantes de todas as regiões do país e promoveu o debate através de palestras, mesas-redondas e grupos de trabalhos.
     O seminário teve avanços sensíveis em relação à primeira edição, contando com a inclusão de mini-cursos e atividades artístico-culturais, como a performance interativa Amorfológicas, produzida por alunos de comunicação, e a peça teatral Br Trans. “Além do crescimento no número de atividades, tivemos também um número maior de inscritos, mais de duzentas pessoas passaram entre os três dias.”, comenta Pelúcio, que expressa a intenção é transformar o evento em referência da FAAC. “A ideia é mantê-lo como bianual e apostar no crescimento do mesmo, mesclando cada vez mais as linguagens acadêmicas, artísticas, midiáticas, mantendo o formato multi e transdisciplinar para fomentar o diálogo entre áreas. Queremos também continuar oferecendo este espaço para alunas e alunos de graduação fazerem suas apresentações orais, favorecendo um diálogo horizontal com pessoas com outros níveis de formação.”
 
       No primeiro dia, a mesa de abertura foi cedida à conferência “As Mídias Digitais e a nova economia do desejo” ministrada pelo Prof. Dr. Richard Miskolci, que apresentou sua pesquisa de pós-doutorado, realizada em San Francisco, California, entre janeiro e agosto deste ano. Em sua pesquisa, Miskolci estudou as relações entre afeto, sexo e amor da comunidade gay em um novo panorama urbano, econômico e de consumo, em que as relações sociais cada vez mais têm sido mediadas por aplicativos e mídias digitais.
 
       O segundo dia reuniu minicursos, a webconferência “Vozes do Egito: mulheres, mídia e direitos”, com as ativistas egípcias Sally Zohney e Sondos Shabayek, e duas mesas redondas com os temas “Éticas e técnicas – desafios da pesquisa com mídias digitais” e “Desafios da Comunicação na era da cibercultura” – esta última que contou com duas palestras internacionais: “O direito à cidade em rede: redes digitais e espaço urbano” ministrada pelo Dr. Scott McQuire, da Universidade de Melbourne, Australia, que apresentou questões sobre como devemos pensar sobre o direito à cidade em rede e de que forma os meios de comunicação em rede interferem na viabilização de um “espaço público participativo”; e “Cultura do gaydar: queering a história da mídia digital na Grã-Bretanha do Século XX” ministrada pelo Dr. Sharif Mowlabocus, da Universidade de Sussex, Inglaterra, que em sua pesquisa discutiu sobre a relação de subculturas urbanas gays e as tecnologias de mídias digitais.
 
     Durante o terceiro dia foi realizada durante a manhã mais uma mesa redonda sobre tecnologias digitais e intimidades, cedendo à tarde para as apresentações dos quatro grupos de trabalhos com as temáticas “Mídias digitais: desafios teóricos-metodológicos”, “Corpos, prazeres e afetos na web” e “Tecnologias midiáticas e experiências feministas, queer, dissidentes e militantes”.
 
       O encerramento do seminário contou com o espetáculo Br Trans, com Silvero Pereira do coletivo artístico As Travestidas. Montado através de recortes da pesquisa do modo de vida de travestis e transformistas de Porto Alegre, o espetáculo retrata um monólogo em que Gisele traz à cena histórias e inquietações sobre medo, solidão, exclusão e morte, que se entrelaçam e se confundem até mesmo com a vida do ator, que diz não saber onde começa e onde termina Gisele mesmo fora dos palcos. A peça é resultado de um projeto cartográfico, artístico e social que traça paralelos entre o universo trans nos polos nordeste e no sul do país, pesquisando o teatro como instrumento de transformação social e a relação entre ator e transformista, a fim de promover o debate sobre gênero, sexualidade e arte no Brasil.

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