SICOM PET entrevista Lourenço Mutarelli

Da Redação SICOM PET,
Entrevista: Beatriz Haga
Na próxima terça-feira (24 de maio), o Grupo PET-RTV recebe a visita de Lourenço Mutarelli Jr. para o II Cine PET 2012 com a exibição do filme “O Natimorto”.
O paulistano Mutarelli (1964) é escritor, artista gráfico, roteirista e ator. O início de sua carreira não foi nada fácil. Ele era considerado um peixe fora d’água no mercado editorial dos anos 80, enquanto nomes como Angeli, Glauco e Laerte consolidavam a carreira. Enquanto trabalhava nos estúdios Maurício de Souza, o quadrinista escritor publicou seu primeiro zine em 1988. Com a ajuda e influencia do quadrinista Marcatti, a obra do autor começou a aparecer em algumas revistas da época.
Em 1991 publi­cou seu pri­meiro álbum de qua­dri­nhos com o título de Transubstanciação
Mutarelli marcou sua estréia na literatura com o romance ‘O cheiro do ralo’, de 2002, roteiro adaptado por Marçal Aquino para um longa filmado por Heitor Dhalia, em 2007. Logo em seguida, escreve ‘O natimorto: Um musical silencioso’, adaptado para o cinema por Paulo Machline, em 2009, e para o teatro por Mario Bertolloto.
Leia a entrevista com o escritor realizada pela repórter Beatriz Brandão Haga para o SICOM PET:
SICOM: Qual a sua relação dos Quadrinhos com a criação dos personagens?
L. Mutarelli: Tem muita história minha que nasce do próprio personagem. Pensando em um personagem, eu vejo um contexto. Nos quadrinhos acontecia muito isso: pensava no personagem e só depois eu tentava pensar na sua história.
SICOM: Seus HQs sempre foram em preto e branco e só na Revista Cyber Comics eles recebem cor. Isso foi uma escolha sua ou um pedido da Revista?
L. Mutarelli: Foi um pedido da Revista, até mesmo pelo fato de ser uma publicação virtual, para a Internet. Sim, comecei com o preto e branco, mas, recentemente, tenho trabalho muito mais com cor.
SICOM: Depois de um papel no “O Cheiro do Ralo”, você volta às telonas protagonizando “O Natomorto”, coincidentemente seu segundo livro a virar roteiro de cinema. Como foi a experiência do Mutarelli protagonista?
L. Mutarelli:Foi um processo muito interessante e difícil. Foi mais difícil pelo fato de eles pensarem que eu tinha todo o texto decorado, mas não era verdade. Eu já tinha feito outros curta metragens também, mas foi um processo muito complicado. “O Natimorto” conta a história de um rapaz que foi criado por uma tia que lia o tarô. Quando começam a sair as imagens de advertência nos maços de cigarro, ele achava que isso tem alguma relação, como se o dia dependesse da imagem que encontrasse ali. A história se aprofunda em outras questões, mas esse seria o mote principal.

SICOM: Na adaptação para o cinema, você acha que o livro perdeu muito conteúdo?
L. Mutarelli: Eu acho que são coisas distintas. Até agora eu gosto do resultado que foi feito. “O Natimorto” é mais difícil para mim, até mesmo porque eu estou lá e o senso crítico é bem maior. É uma adaptação, são linguagens diferentes, mas o principal está representado lá.



Você estava sempre no set de gravação, até mesmo por ser o protagonista. Você, como escritor da obra, em algum momento deu alguma sugestão, algum toque para o diretor Paulo Machline?

L. Mutarelli: Eu ficava mais tentando entender aonde ele queria chegar. Eu apenas fiz comentários no roteiro, comentário mais positivos do que para alguma mudança. Algumas eles até acolheram.
Durante a filmagem, apenas opinava como ator e não como autor.
O que você acha da iniciativa de Projetos, como Cine PET, que propõem a exibição e discussão de filmes nacionais?
L. Mutarelli: É uma atitude muito interessante. Para nós é sempre válido ter este diálogo e saber como o produto está sendo recebido.
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Assista também à entrevista de Lourenço Mutarelli para o Provocações, programa da TV Cultura:

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