Uma mulher de negócios: série mostra as dificuldades e vantagens de ser a própria chefe

Cena de Girlboss. (Netflix – Divulgação)


Na vida real não é muito diferente, ao conversar com as empresárias bauruenses é possível notar os obstáculos do ramo empresarial


Da redação SICOM-PET, Carol Oréfice

  Baseada na vida da empreendedora Sophia Amoruso, “Girlboss” é uma adaptação livre que utiliza do humor para retratar a história da loja virtual Nasty Gal. Disponibilizada nos serviços da Netflix desde sexta-feira, dia 21 de abril, o lançamento tem atraído os mais diversos públicos por tratar de maneira divertida os empecilhos que a protagonista sofre para criar sua marca. O livro de Sophia, “#Girlboss”, serviu de inspiração para a série homônima. A releitura criada por Kay Cannon demonstra que, apesar de Sophia sofrer com a desconfiança por parte dos outros, ela faz de tudo para concretizar a ótima ideia que teve e viver do seu próprio negócio de roupas. A empresária e escritora Sophia Amoruso, após escrever seu livro autobiográfico, criou a instituição Girlboss Foundation com o intuito de subsidiar financeiramente mulheres criativas do mundo inteiro a criarem seu empreendimento no ramo da música, artes, design e moda.     https://www.youtube.com/watch?v=4CQgxe9MZE0   A vida imita a Arte A série “Girlboss” trata dos empecilhos de começar do zero ao criar uma empresa e, muito mais complicado, os preconceitos em decorrência de ser uma mulher no mundo dos negócios. O fato é que no mundo real não é muito diferente. Uly Schimidt é a idealizadora da “Make U”, uma loja de maquiagem que, além disso, oferece cursos preparatórios para iniciantes e aperfeiçoamento para profissionais da área da beleza. A empresária conta que por mais que tenha conhecimento como maquiadora há mais de 5 anos, suas maiores dificuldades foram a falta de conhecimento administrativo e financeiro assim como encontrar uma solução para a crise, que diminui o consumo da população. Muito parecida com a desconfiança que Sophia sofreu, Uly já sofreu preconceito por ser mulher ao negociar para sua empresa. “Sempre dão mais valores quando os homens estão negociando”.    

Na série, Sophia enfrenta poucas e boas para lidar com o seu negócio. (Netflix – Divulgação)

    Já Jéssica Bortolassi, criadora da loja virtual “Miss Jane”, que embora acredite na existência de um enorme preconceito com mulheres no ramo corporativo, nunca sentiu na pele. Formada em moda, Jéssica resolveu criar a loja idealizando levar marcas diferenciadas para o interior paulista. A “Miss Jane”, que chegou a ser uma loja física, precisou migrar para a Internet devido às dificuldades de mantê-la. Trabalhando somente com a loja física, a empreendedora afirma que seu emprego não era levado a sério pelas pessoas ao seu redor. “Na época, as pessoas não viam isso – loja online – como um trabalho e sim, como um passatempo, algo que eu fazia pra ‘descolar uma graninha’ enquanto eu não arrumava um ‘emprego de verdade’”.   Não é tão simples quanto parece

Boas ideias são fundamentais. Foi justamente a jaqueta da foto que impulsionou os negócios em Girlboss. Mas isso não significa que não haverá dificuldades. (Netflix – Divulgação)

  A idealização de uma empresa não é um “mar de rosas”. Obstáculos como a falta de apoio financeiro e o problema de manter caixa positivo nos primeiros meses acabam desmotivando algumas empresárias a permanecerem no ramo. Quando Sophia – da série “Girlboss” – criou a Nasty Gal, a desconfiança por parte de seu pai, a necessidade de alugar um lugar para suas roupas, as complicações por não ter um próprio domínio na Internet e a ausência de uma equipe ajudando foram fatores que inicialmente atrapalharam para o estabelecimento da loja virtual. A empresária Jéssica Bortolassi também teve dificuldades para a instauração de seu negócio, tendo como maior contratempo encontrar linhas de crédito a preços justos. Além disso, para ela “é difícil você não ter uma equipe com quem discutir estratégias e os rumos que a empresa deve tomar. Por mais que família e amigos apoiem, eles não têm a visão de quem tá dentro do negócio”.   Ainda há esperança

Netflix – Divulgação

Embora Uly Schimidt afirme que “é fato que há o preconceito das mulheres estarem no comando e sempre precisamos mostrar mais para – nos – valorizarem, mas não se pode abaixar a cabeça com a pressão, tem que ser firme para poder gerar respeito”, o ramo empresarial tem sido próspero para mulheres em geral. Em meio à crise brasileira, a empresária Dora Busch expandiu seus negócios abrindo a segunda loja física da franquia Felicittá Looks. Para ela, a franquia oferece todo “o apoio e respaldo” necessário. Por mais que o mundo dos negócios seja sexista, o espaço das mulheres como idealizadoras de uma empresa vem crescendo. O fato é que existe preconceito no ramo, mas a nova leva de mulheres investindo no próprio negócio busca superar estes estigmas e prosperar no sonho do próprio empreendimento.


  Veja também: http://petrtv.com.br/hollywood-jose-mayer-e-as-relacoes-de-genero/  

Wesley Anjos

Jornalista em formação, escritor e ator nas horas vagas. Típico amante das artes, é viciado em fabular e beber mate, não necessariamente nesta ordem.

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