Voluntária do PET –RTV participa do programa International Scholar Laureate Program, na China

Veja no relato da estudante Gabriela Ramos, do segundo ano de Relações Públicas da Unesp e integrante do PET-RTV, como foi seu intercâmbio na China

Por Gabriela Ramos

Do dia 24 de maio ao dia 06 de junho tive a oportunidade de ir para a China e participar do International Scholar Laureate Program, um programa experimental que tem como objetivo educar, inspirar e motivar estudantes universitários de diversas áreas através de experiências teóricas e práticas em países emergentes.

O programa possui várias delegações, entre elas Diplomacia e Relações Internacionais, Business, Medicina e Engenharia, cada qual dividida em subgrupos para estudo e uma competição de estudo de caso. Todas as dinâmicas, pesquisas, visitas monitoradas e palestras têm por objetivo servirem como materiais de pesquisa para esses estudos, além de também serem chances de estabelecimento de possíveis redes de relacionamento, “networking”.

O programa em si durou do dia 24 de maio até o dia 3 de junho nas cidades de Pequim, Xian e Xangai; os três dias seguintes foram uma extensão cultural em Hong Kong. O cronograma era muito diversificado, sendo composto por atividades turísticas, culturais, sociais e também diplomáticas. Sendo assim, estive nos mais variados lugares, desde a Muralha da China; a Cidade proibida; a escavação dos Guerreiros de Terracota, até a embaixada da Polônia; o ministério de assuntos estrangeiros; o instituto de estudos estrangeiros e uma escola na comunidade rural de Xian.

Delegação de Relações Internacionais e Diplomacia na embaixada da Polônia em Pequim, no dia 25 de maio de 2016. (Foto: Arquivo pessoal/ Gabriela Ramos)
Delegação de Relações Internacionais e Diplomacia na embaixada da Polônia em Pequim, no dia 25 de maio de 2016. (Foto: Arquivo pessoal/ Gabriela Ramos)

Além da experiência acadêmica e turística, fui contemplada por um imenso choque cultural ao ter contato não só com outros estudantes do mundo inteiro, mas também pelos momentos de interação com a população local tanto em atividades promovidas pelo próprio programa – por exemplo, visitas à duas universidades -, quanto nos períodos de tempo livre em que pude entrar diretamente em contato com feirantes, pessoas em praças e parques, artistas de rua, etc.

O que mais surpreende é que, em experiências como esta, qualquer acontecimento, por menor que seja, é algo incrivelmente novo e que, às vezes, pode nos fazer repensar sobre nossos próprios costumes e visões. Entre todas as coisas que pude aprender e que tenho certeza que levarei pelo resto da minha vida, está uma das maiores características do povo chinês, gentilmente ensinada por Xavier Sans Powell durante a palestra de abertura do programa: na China, existe o conceito de Miangzi, que é o conceito da “face”, do “rosto”. Para o povo chinês, o ato de salvar, perder, ou dar a “face” é muito importante e guia praticamente todas as ações feitas por eles. A face, nesse caso seria como o orgulho, ou a moral deles no sentido em que quando algo constrangedor acontece, perde-se a face; quando a pessoa se expõe por outra pessoa, dá-se a face; quando a pessoa se resguarda em determinada situação, guarda-se a face. O que me fez aprender a prestar mais atenção antes de agir ou falar.

Xavier Sans Powell na palestra de abertura do programa “Interacting in the Global Community: CrossCultural Communication”, no dia 25 de maio de 2016. (Foto: Arquivo pessoal/ Gabriela Ramos)
Xavier Sans Powell na palestra de abertura do programa “Interacting in the Global Community: CrossCultural Communication”, no dia 25 de maio de 2016. (Foto: Arquivo pessoal/ Gabriela Ramos)

Se pudesse descrever essa experiência em uma única palavra, utilizaria “empatia”. O motivo é bastante simples e claro: durante uma vivência assim é preciso empatia em todos os momentos, a empatia nos faz compreender melhor o porquê de tal pessoa achar determinada solução para o estudo de caso, o porquê de uma pessoa ser mais tímida, o porquê de cada cultura ser como é, o porquê de cada pessoa estar ali tentando passar quaisquer que sejam as mensagens que quer passar. Acima de tudo, a empatia é o que nos permite vivenciar novos aprendizados e também passar nossos próprios de maneira mais fluida.

Como a única estudante brasileira no programa e também uma das únicas na área de comunicação, senti que tinha uma responsabilidade ainda maior em representar meu país, minha cultura e minha futura profissão entre tantos grupos de pessoas vindos de países como Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Rússia, etc. Pude conhecer profissionais da área, como o responsável pela comunicação e assessoria de imprensa da embaixada da Polônia, e também colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante o curso de Relações Públicas, pois o tema do estudo de caso era a censura da internet chinesa e alternativas para causas sociais, que coincidentemente são temas que estudo em meu projeto de Iniciação Científica. Sendo assim, só posso dizer que foi uma experiência riquíssima na qual pude aprender muito através da prática e da convivência.

 

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